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Foi
Manoel Valeije Olmos quem escolheu como patrono da Loja Luiz
Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Apesar de preeminente
maçom, poucos conhecem a vida maçônica dessa
grande figura da história brasileira.
Em 1998, porém, o Irmão João Carlos Maciel
de Almeida resolveu elaborar trabalho sobre o assunto. O resultado
das pesquisas aqui está, nas palavras do próprio
autor.
"Pesquisar a vida maçônica de Luiz Alves de
Lima e Silva é uma tarefa difícil. A maior parte
dos documentos e atas de sua época desapareceu, por motivos
os mais diversos. Além disso, não havia publicações
maçônicas oficiais, que pudéssemos consultar,
como hoje. Sabemos, com certeza, lendo os poucos documentos
que chegaram aos nossos dias, que:
Luiz
Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, deu nome
à Loja por decisão dos fundadores, que quiseram
homenagear esse grande militar e maçom brasileiro
Não consta que o genitor de Caxias tenha sido maçom.
Não se encontrou
documento nenhum a respeito. Já um tio dele, José
Joaquim de Lima e Silva,
o Visconde de Magé, foi maçom muito ativo.
Também não se sabe exatamente quando e em que
Loja Luiz Alves teria sido
iniciado. Supõe-se que tenha sido em 1841 ou 1842,
na Loja São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro.
Em 1846 ele já possuía o grau 33, do Rito
Escocês.
A Loja a que pertencia Luiz Alves estava sob jurisdição
do Supremo Conselho
Brasileiro, fundado em 1829 por Montezuma (futuro Visconde
de Jequitinhonha), então a única Potência
Filosófica legítima no Brasil.
O Supremo Conselho "Montezuma" se ligara ao Grande
Oriente Brasileiro "do
Passeio", mas, em 1847, fundou seu próprio Grande
Oriente, convidando o então Conde de Caxias para ser
o Grão-Mestre da nova Potência, que ficou conhecida
como Grande Oriente Brazileiro "de Caxias", para
distingui-la do Grande Oriente "do Passeio". Em
1847, Caxias pertencia aos quadros da Loja União Escoceza,
do Rio de Janeiro.
Caxias, então residindo no bairro da Glória,
na Rua do Catete, nº 2, permaneceu no Rio de Janeiro
de 1845 a 1851, podendo, nesse período, se dedicar
às lides maçônicas. Em 1849, começou
a estudar a possibilidade de fundir seu grêmio com o
Supremo Conselho de Grande Oriente do Brasil, "do Lavradio",
fusão que se concretizaria em meados de 1854.
Várias Lojas foram fundadas no Grande Oriente de Caxias.
Entre elas, no dia
5 de janeiro de 1852, era fundada em Santos, com Carta Constitutiva
assinada por Caxias, a Loja Fraternidade, a mais antiga Loja
Maçônica santista em atividade.
Em uma relação dos Membros Efetivos do Supremo
Conselho do Brasil, desde sua instalação até
1882, publicada pelo Grande Oriente do Brasil, em 1896, o
nome do então Marquês de Caxias aparece sob o
nº 35, em 1854.
Antes, já recebera o título de Grão-Mestre
Honorário do Grande Oriente do Brasil.
Em 1869, quando já era Duque, Caxias recebeu a incumbência
de ser o
representante do Supremo Conselho da Inglaterra junto ao Grande
Oriente do
Brasil, tendo se mantido nesse cargo até seu falecimento,
em 1880.
Quando da chamada "Questão Religiosa", Caxias
foi chamado por D. Pedro
II, em 1875, para assumir o Ministério da Guerra e
para organizar o novo Conselho de Ministros. Segundo Afonso
de Carvalho, que escreveu uma biografia de Caxias, este aceitara
o cargo com a condição de se conceder a anistia
aos bispos já condenados, o que o Imperador, a contragosto,
aceitou.
A retribuição do clero a esse gesto de Caxias
veio com a sua expulsão da
Irmandade da Cruz dos Militares, do Rio de Janeiro, sob a
alegação de que era maçom.
Por ironia, na Igreja da Irmandade da Cruz dos Militares é
que foi realizada a
vigília cívica da essa armada do dia 24 ao dia
30 de agosto de 1949, quando do translado dos restos mortais
de Caxias para o Panteão Militar.
Em 28 de março de 1972, no município de Duque
de Caxias, no Rio de Janeiro, foi inaugurado um Museu dedicado
ao Patrono do nosso Exército. O jornal "O Globo",
edição do dia seguinte, noticiava o fato, acrescentando
que "lá se encontravam até armas com símbolos
maçônicos". Podemos supor que as "armas
com símbolos maçônicos" fossem as
espadas usadas em Sessões Ritualísticas de Lojas".
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