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A Corda de Oitenta e um nós
13/06/2008

Li em um livro na parte de orientação de como preparar um Templo Maçônico, que a Corda de Oitenta e um nós ou voltas, deverá ser feita com material que se dispuser a mão. Na minha Loja Duque de Caxias n. 70 foi feita com sisal virgem. Sem sofisticações ou produtos artificiais, portanto não foi colocada uma corda feita de materiais que existem atualmente, vistosos, brilhantes e coloridos. A naturalidade foi usada com maestria pelo nosso PastMaster Hermínio Bordinhon, na época da montagem do Templo.

A respeito da corda de oitenta e um nós Rizzardo da Camino em seu livro Introdução a Maçonaria vol. 3, escreve que a corda de oitenta e um nós, tem significado simbólico, porque diz respeito aos próprios obreiros. A corda, composta de múltiplos fios, que isolados são frágeis, e que em conjunto apresentam-se muito resistentes, que confirma o adágio que “A União faz a força, lembrando aos Maçons, queenquanto unidos, podem lutar contra o vicio e o mal.
Representam também, os nós as dificuldades da vida, e que o Maçom deve esperar sempre o pior e o difícil para conquistar algo, e faz-se necessário o desfazimento dos nós.
São Oitenta e um nós, e, este numero é altamente simbólico, porque representa a máxima multiplicação do numero 9, que é considerado o numero perfeito, por ser múltiplo de três, e sua elevação ao cubo.

O número nove é considerado perfeito entre os perfeitos, pois qualquer combinação que se faça com ele, o resultado será sempre o mesmo.
É o símbolo da imortalidade, da regeneração e da vida.
Algumas seitas religiosas usam um cordão em torno da cintura de seus membros; verificamos, por exemplo, entre os religiosos Capuchinhos da Igreja Católica Apostólica Romana, o cordão com nós.
Servem entre alguns povos, como instrumento de oração, de alfabeto, de comunicação ou mensagem, e também, deu origem ao rosário católico.
Os indígenas norte-americanos gravaram suas mensagens, como o faziam também os Incas e Astecas, por meio de nós em barbantes coloridos.
Em francês, a tradução da corda de 81 nós é Laços de Amor.

O escritor Ragon se expressa sob o tema: Esses nós entrelaçados que aparecem na corda de nossos templos, são imagem da união fraterna, que ligam entre si de modo indissolúvel todos os Maçons do Universo, sem restrições de seitas ou condições.
O enlaçamento simboliza também, o segredo que envolve os nossos mistérios.
Seu comprimento circular indica que o império da Maçonaria, ou, o reino das virtudes compreende o Universo inteiro, no símbolo de cada Loja.
Para Wirth, outro escritor Maçônico, a Cordarepresenta a cadeia de união, ligando entre si todos os Maçons. Para Plantagenet: A cordasimboliza a fraternidade que une os Maçons e, a este titulo constitui uma representação permanente e material da cadeia de união.
Entretanto, Nagrodski apresenta interpretação bem diversa daquele símbolo, sem duvida também interessante, pois o autor vê na cordao símbolo do cordel empregado pelos pedreiros na correta implantação de qualquer construção.

As interpretações apresentadas por Wirth e Plantagenet confundem-se muitas vezes a cordacom a cadeia de união. Não concordamos com Wirth e Plantagenet, pois a cadeia de união é um ritualismo, uma Ação, enquanto que a corda de oitenta e um nós é um simbolismo.
Tudo isto que vos relatei, foi publicado em livros maçônicos de vários autores, porém a busca da verdade nos leva a pesquisar, e como somos livres para dar a nossa modesta opinião a respeito do assunto, vou fazê-la a seguir:
Dou inicio, citando alguns trechos do ritual de Aprendiz.
Na segunda instrução, está escrito: A fé é a sabedoria do espírito, sem a qual o homem nada levará a termo.
Na quarta instrução pergunta o Venerável Mestreao 1o. Vigilante.
Entre mim e vós existe alguma cousa?.
Responde o 1o. Vigilante: Sim Venerável Mestre,um culto !
Em outra instrução lemos a seguinte afirmativa: O Oriente indica o ponto de o­nde provem a Luz, e o Ocidente a região para a qual ela se dirige. O Ocidente representa, portanto, o mundo visível, o que os nossos sentidos alcançam, e, de um modo geral, tudo o que é material; O Oriente simboliza o mundo invisível, tudo que é abstrato, isto é, um mundo espiritual.

Baseado nesses trechos do ritual de Aprendiz e outros que não citei para não fazer a minha exposição prolongada,chego à conclusão de que a corda de oitenta e um nós, é o símbolo da Corrente que deve imperar dentro do Templo durante uma sessão Maçônica.
Se todos aqui reunidos acreditam em um ente supremo, se participamos da mesma boa vontade, se nos reunimos em busca do nosso próprio aperfeiçoamento para conseguirmos atingir aquilo a que nos propomos, e se dentro deste lugar sagrado nos dedicamos a um culto, tem que existir uma corrente de fé entre os Irmãos.
E para firmarmos o nosso pensamento nesse momento, o símbolo da corda de oitenta e um nós fica a nossa frente, qualquer que seja o lugar o­nde estivermos sentados.
Essa Corrente de espiritualidade e boa vontade, quando Irmãos professando religiões diferentes, e cada um com sua concepção própria sob o Ente Supremo, unem-se e a formam, dos seus coraçõesbrotam dádivas de compreensão e de suas mentes emanam fluidos positivos. Assim, irmanados, damos a nossa colaboração de fé e amor para essa “Corrente “ que se inicia da seguinte forma: O Venerável Mestre, que representa o mundo espiritual, inicia a sessão dizendo: Em Loja meus Irmãos. Isso significa em outras palavras, preparai-vos para a formação da corrente. Essa formação continua na abertura dos trabalhos ritualísticos.

Assim, a abertura iniciada no Oriente ou mundo invisível com a palavra sagrada vai para a coluna do N. e do S. que simbolizam o mundo visível, formando a corrente, unindo o mundo invisível com o visível, ou o mundo abstrato com o material. Simboliza também, que cruzou todo o universo.
Continua quando o Irmão ex-Ven. mais moderno, ou na falta deste, o Ir. Orador, abre e lê um salmo no Livro da Lei, e termina quando o Venerável Mestre, após a prece, declara aberto os trabalhos.
É nesse instante, que a corrente termina de ser formada em toda a sua plenitude; Por isso diz o Venerável Mestre que os trabalhos tomam toda força e vigor!
Sob a abertura dos trabalhos seria desnecessário relatá-la aos prezados Irmãos, porém, o fiz deliberadamente para chamar a atenção para o seguinte:
Quando nos encontramos na Sala dos Passos Perdidos como o próprio nome indica, estamos simbolicamente desorientados, estamos à procura da direção que nos indique o caminho da busca da verdade e da luz.
Essa indicação nos é prestada pelo Irmão Mestre de Cerimônias ordenando que nos preparemos para adentrar o Templo, se dirigindo ao Átrio.
Seguimos em fila indiana dupla, e por poucos instantes ficamos no Átrio. Esses poucos minutos são necessários para que nos preparemos para o nosso culto, quando no Átrio devemos parar de conversar, as brincadeiras devem cessar, e devemos deixar os maus pensamentos para traz. Isso para que tenhamos uma reunião proveitosa, cheia de inspiração e útil para todos.

Ai adentramos ao Templo em silencio e com respeito, o que equivale a, primeiro, ficarmos bem com o nosso próprio templo interno, o nosso Eu, e depois partirmos em direção ao Universo e ao infinito, como deve ser, aliás, a nossa passagem, pela vida.

fonte: Oswaldo Pereira Gaspar, Mestre Instalado da ARLS Duque de Caxias nº 70

 

 
 
 
 
 
 

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